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ASEAN pede a Myanmar que cumpra plano de paz e garante que Aung San Suu Kyi "está bem"

ASEAN pede a Myanmar que cumpra plano de paz e garante que Aung San Suu Kyi "está bem"

A enviada especial da ASEAN para o Myanmar, a filipina Theresa Lazaro, apelou à junta militar para que cumpra o plano de paz do bloco, e garantiu que a Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, "está bem".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Rede Social Facebook

"Perguntei sobre a situação de Suu Kyi e a resposta foi bastante positiva: ela está bem", afirmou Lazaro num vídeo publicado hoje sobre a visita à antiga Birmânia, acrescentando que os militares "têm as suas próprias razões relativamente aos acontecimentos em Myanmar".

A chefe da diplomacia filipina, que visitou Myanmar esta semana e exerce este ano as funções de enviada especial da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para o país, disse ainda que solicitou repetidamente, sem sucesso, uma reunião com a líder democrática destituída Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe militar de 2021.

"Tivemos uma discussão muito positiva sobre a questão humanitária", continuou Lazaro no vídeo divulgado hoje, destacando, na sua opinião, a disponibilidade do regime militar para abrir zonas "a que ainda não se teve acesso".

O Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) denunciou, em agosto, um colapso dos direitos humanos em Myanmar e a continuação dos ataques militares por parte do exército do país.

A ONU e organizações de direitos humanos acusam as Forças Armadas birmanesas de ter matado milhares de civis desde o golpe, que pôs fim a dez anos de transição democrática e desencadeou uma espiral de violência que agravou a guerra de guerrilha que assola o país há décadas.

A diplomata filipina reuniu-se esta quinta-feira na capital de Myanmar com o responsável pelos Negócios Estrangeiros do Governo militar do país, U Tin Maung Swe, com quem disse ter discutido novas propostas para avançar no consenso de cinco pontos, um plano de paz acordado pela ASEAN em abril de 2021 e que Naypyidaw não tem cumprido.

Esta visita de Lazaro, a segunda ao país este ano, ocorre num momento em que o Governo militar de Naypyidaw procura quebrar o isolamento internacional que enfrenta desde 2021, e em que países do Sudeste Asiático, entre eles a Tailândia e a Malásia, se mostraram dispostos a receber com honras de chefe de Estado Min Aung Hlaing, o general golpista, eleito este ano Presidente do país em eleições não reconhecidas pela ONU e grande parte da comunidade internacional.

A ASEAN (composta por Myanmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietname) expulsou Myanmar das reuniões de líderes após o golpe, e o grupo impôs, em princípio, condições para uma eventual reintegração, entre as quais a libertação de presos políticos e o fim da violência contra civis.

Entre dezembro e janeiro, os militares realizaram, num clima de repressão e sem oposição representativa, eleições largamente consideradas como uma manobra de legitimação.

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